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Anjos
da guarda
Cinco anos de histórias
Em cinco anos que a VMER da Figueira da Foz leva de vida,
anormal seria se os seus elementos não tivessem histórias para contar.
Tirando aquelas impossíveis de transcrever e outras, confidenciadas em
absoluto off the record, aqui ficam algumas, divertidas o bastante,
apanhadas no dia-a-dia da equipa médica.
Uma das primeiras é recordada pelo enfermeiro Rui Miguel, ainda a viatura
médica “descansava” junto às urgências do hospital e não nas
actuais instalações. Dado que, para abastecer de energia alguns dos
dispositivos que a viatura comporta, quando em descanso, a VMER é ligada
a uma tomada eléctrica, esta situava-se na parede do próprio edifício.
“Foram várias as vezes que arrancámos e a ficha veio atrás”, diz,
com uma gargalhada, Rui Miguel. Já o tripulante António Barbosa, só à
sua conta, avança três episódios. O primeiro passou-se numa conhecida
localidade piscatória do concelho, para onde a VMER foi activada, devido
a um indivíduo que caiu inanimado durante um baile numa colectividade da
povoação.
Barbosa e o médico José Rocha entraram na sala e, para espanto dos dois,
o baile não parou: “Estava o senhor lá estendido e aqueles tipos ti
ri ri, ti ri ri [o tripulante imita o guitarrista de serviço na ocasião],
nunca vi uma coisa assim”, sublinha.
Pior foi quando um amigo da vítima, resolveu tirar satisfações com a
equipa médica, intrigado com o que estavam a fazer ao amigo. “Puxou o médico
para trás, tivemos de andar a apanhar os sacos até perceberem o que estávamos
ali a fazer”, diz.
A segunda situação viveu-a Barbosa com uma médica, brasileira e de
estatura baixa, que acompanhava na ambulância um indivíduo corpulento e
totalmente etilizado.
Como a vítima se tinha mostrado agressiva, seguia na ambulância
“amarrada” à maca. Barbosa abria caminho ao volante da VMER quando,
numa rotunda viu a ambulância a parar “e a começar a abanar”.
O indivíduo tinha-se soltado e ameaçava agredir a médica que, encolhida
a um canto, soltou um grito: “Barbosa… me salva!”
O derradeiro episódio decorreu na Torre, em Montemor-o-Velho, “onde um
senhor andava a lavrar a terra quando sofreu uma paragem cardíaca”.
“Havia tanta lama no terreno, mas tanta lama, que tive de descalçar as
botas e sair de lá a conduzir descalço”, lembra. A viagem acabou por
ser curta, até ao quartel dos bombeiros voluntários da vila, onde uma
solícita tripulante de ambulância acabou por emprestar a António
Barbosa uns chinelos… obviamente, de senhora!
Outro tripulante da VMER com, pelo menos, uma historia para contar é
Francisco “Kiko” Antunes, bombeiro voluntário na Figueira da Foz.
“Num acidente, estava um carro todo desfeito, nós a tentarmos remover a
vítima, encarcerada, e o rádio não parava de tocar”, afirma.
Nada de mais, não fosse Kiko estar encostado a uma das colunas de som e a
música, em altos berros, se chamasse “Oh Laurindinha…!”.
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