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Introdução / Anjos da Guarda / Cinco anos de histórias / Pulp Fiction: Overdose - Ficção e realidade

Anjos da guarda

Textos e fotos: José Luís Sousa (zeluis@figueiraonline.com)

Em cinco anos de vida, a VMER do HDFF nunca esteve inoperacionalFilipe, nome fictício, tem pouco mais de 20 anos, constituição robusta, aspecto duro. Passa dias e noites à mesa de um qualquer café, com muito álcool por companhia. O seu temperamento agressivo é sobejamente conhecido na vizinhança. São nove da noite. Filipe jaz estendido numa rua da aldeia, etilizado, inconsciente, com sinais evidentes de ter sido agredido.
Jorge padece de uma doença prolongada. A necessidade de ter de aceder a um médico, fora de horas, já não é novidade para a família. Antes, tornou-se quase rotina.
Manuela tem trinta e poucos anos, dois filhos e um terceiro a caminho. Sofre de uma enfermidade incapacitante, potenciada pela nova gravidez. Numa noite como tantas outras, quem sabe se devido a uma discussão familiar, Manuela enerva-se e assusta-se com a hipótese de dar à luz em casa, fora do centro urbano, sem assistência.
Paulo só se apercebeu do choque iminente pelo grito da filha. Viajava, acompanhado da mulher, no banco de trás de um automóvel ligeiro, conduzido pelo genro. Na faixa contrária, o excesso de velocidade e uma distracção potenciaram o despiste, o carro foi projectado contra a viatura onde seguia Paulo e a família.
Todos os casos relatados têm, pelo menos, dois aspectos em comum: aconteceram no dia-a-dia da equipa responsável pela Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital Distrital da Figueira da Foz (HDFF) e tiveram um final feliz.

Obter um desfecho feliz é, afinal, o objectivo primeiro do trabalho daqueles profissionais, porém, nem sempre é assim, Por razões várias, uma das quais está directamente ligada ao momento de fazer a chamada para o 112, número nacional de emergência.
Muito do sucesso da VMER passa pela colaboração com os Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz Quando, numa situação de emergência médica, seja doença ou acidente, ligamos para o 112, a nossa chamada é atendida por um operador do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), o qual está acompanhado por um médico responsável pela triagem dos casos. Nas situações graves, que necessitam de ajuda médica imediata, é activada a VMER – constituída por um médico e um enfermeiro ou tripulante – e uma ambulância, sendo que, em ocorrências menos graves, em princípio, apenas esta última se deslocará ao local. Mas cada caso é tratado individualmente, dependendo uma correcta triagem, entre outros aspectos, da informação fornecida ao operador do CODU.
Há ainda situações de pessoas que pretendem transporte para as unidades de saúde, sendo informadas que, para tal, terão de contactar uma corporação de bombeiros ou serviços privados já que os meios do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) não estão disponíveis para transporte puro e simples.
“É importantíssimo que as pessoas dêem os dados todos e respondam a todas as perguntas que lhes são feitas pelo operador” diz Amélia Pereira, 48 anos, coordenadora da VMER da Figueira da Foz, quando questionada sobre os passos a dar a partir do momento em que se contacta o 112.
Admitindo, no entanto, que “às vezes não é fácil, pois as pessoas estão muito nervosas e ávidas de uma solução imediata”, a “patroa” – como é carinhosamente apelidada pela equipa da VMER – insiste na importância do primeiro contacto “para que a triagem seja o mais correcta possível”.
“Há pessoas que nem dizem onde estão”, adianta, embora situações destas aconteçam “felizmente” cada vez menos.

Um T2 com garagem

Amélia Pereira: "Nesta equipa existe um ambiente quase familiar"A VMER do HDFF foi a primeira viatura médica, com base num hospital, a existir no país. Ao longo dos cinco anos que leva de vida, nunca, por um dia que fosse, esteve fora de serviço, facto que é motivo de orgulho.
“Há aqui um espírito de equipa muito grande que faz com que a viatura nunca estivesse inoperacional” frisa Amélia Pereira, prontamente secundada por António Barbosa, tripulante da VMER e bombeiro voluntário da corporação de Soure: “somos exemplo a nível nacional em termos de equipa coesa”, garante.
Se, ao início, a VMER estava sedeada no próprio serviço de urgências do hospital (ver “Cinco anos de histórias”), actualmente a viatura mora a cerca de cem metros, junto ao portão norte do complexo hospitalar, em instalações próprias, conhecidas como “o T2 com garagem”. São três assoalhadas, sem luxos: dois quartos para repouso do médico, enfermeiro ou tripulante, uma sala de estar, instalações sanitárias e o local onde o carro médico descansa entre saídas, as quais, não raras vezes, ultrapassam em muito as fronteiras do concelho da Figueira da Foz, já que o raio de acção se estende aos municípios vizinhos de Montemor-o-Velho, Pombal, Soure, Cantanhede e Mira. No horizonte está a vinda de uma nova viatura – uma carrinha monovolume -  e as actuais instalações terão necessariamente de ser ampliadas, pois a garagem actual não dispõe de espaço suficiente para albergar a futura VMER.

Mais candidatos que vagas

“O que me faz correr é o espírito de voluntariado e a paixão” explica Amélia Pereira, quando questionada acerca daquilo que “puxa” os profissionais de saúde para este tipo de trabalho. António Barbosa junta-lhe “o gosto pela emergência”, ou não estivéssemos perante um bombeiro voluntário: “se não fosse remunerado estava cá na mesma, o aspecto económico não é fundamental”, adianta o tripulante da VMER, dando a entender que todos vivem intensamente o dia-a-dia.
Em casa, Barbosa conta com o apoio da família “que vê o meu trabalho com satisfação”, situação comum a Amélia Pereira, motivada pelo apoio do marido e filhos: “até me empurraram para cá”, revela.
Segundo a coordenadora da VMER “na base há sempre motivo de conversa, existe um ambiente quase familiar, as pessoas conhecem-se bem, muitos fizeram o curso todos junto e a integração dos novos é facilitada pelo ambiente”, considera.
Posta a questão desta maneira é fácil perceber o porquê do quadro da VMER não ter problemas de recrutamento, possuindo, aliás, “mais candidatos que vagas”, diz Amélia Pereira.
“As pessoas da área da saúde são bastante sensíveis”, reforça.

Enquanto António Barbosa prepara o soro, Susana Magalhães ausculta a vítima“Os médicos têm de ser muito corajosos”

Março de 1998. Amélia Pereira estreava, juntamente com o tripulante Francisco “Kiko” Antunes, a VMER da Figueira da Foz, no auxílio a um ciclomotorista acidentado. No primeiro ano de serviço, a viatura médica de emergência e reanimação do HDFF percorreu cerca de 30 mil quilómetros, número que tem vindo a subir ano após ano. Com uma média que se situa, actualmente, nas quatro saídas diárias, ao todo, contas feitas, o total de activações ultrapassa as seis mil em cinco anos de existência.
Médicos, tripulantes e enfermeiros fazem turnos que podem ir das oito às 24 horas seguidas, enfrentando situações de todo os tipos, seja no relacionamento com os doentes ou na estrada, a caminho do local da chamada.
A condução da VMER está a cargo dos tripulantes – bombeiros voluntários que, aquando da constituição das equipas espalhadas pelo país, foram recrutados dado a experiência acumulada em termos de condução – e dos enfermeiros, ocupando o médico o lugar ao lado do condutor, sempre em contacto com o CODU, mantendo-se informado sobre a situação que irá encontrar dai a minutos.
“Geralmente os outros condutores colaboram mas também há os que não nos vêem, não ouvem, vão distraídos na estrada” afirma António Barbosa, sublinhando que a condução da viatura “não é fácil, exige grande concentração, traquejo e a formação ajuda muito”.
A viatura médica da Figueira da Foz, ao longo de cinco anos, nunca teve qualquer acidente grave, para além de um pequeno despiste, em piso molhado, no IP3, contra um rail de protecção, só com danos materiais e  alguns retrovisores danificados.
Doença súbita na praia da Figueira da Foz Os condutores do carro médico passam por um curso de condução avançada defensiva - conduzir com técnicas de defesa, “para prever o que pode acontecer”, desvio de obstáculos, piso molhado e técnicas de travagem, entre outros aspectos – com a duração de 15 dias, dois dos quais teóricos., os restantes de condução dentro e fora das cidades, em diversos pisos e condições climatéricas.
“Em serviço nunca penso que posso vir a ter um acidente” garante Barbosa, adiantando que “nem todas as pessoas tem perfil para este tipo de serviço”.
O tripulante sublinha ainda, como “muito importante”, não só o percurso a caminho do local do acidente mas também a colocação da viatura na estrada, uma vez lá chegados: “Protege-nos e ajuda a proteger a vítima, é que muitas vezes chegamos e não há ainda autoridades no local”.
Se o condutor não pensa em acidentes, que dizer dos médicos? “Às vezes penso que posso ter um acidente grave” diz Amélia Pereira, recordando um episódio antigo “daqui para a Leirosa, para socorrer uma vítima inconsciente, estava um carro na berma que não nos viu, arrancou de repente, mas lá passámos a tempo”, lembra, com a expressão mais carregada. “Essa não sabia”, descomprime Barbosa, sustentando, logo em seguida, que os médicos “têm de ser admirados pela coragem, têm de ser muito corajosos para serem conduzidos”.
Amélia Pereira, vinte anos de carreira na especialidade de medicina interna, considera que a relação com o carro “vai-se atenuando ao longo da vida”.
“Mas é muito stressante, na rua somos o espelho de nós próprios. Às vezes lidamos com situações muito graves, mas temos quase todos os meios necessários para tratar no local, ao chegarmos somos uma mais valia”.

A colocação da viatura no local do acidente ajuda e protege o desempenho da equipa médicaMirones: uns atrapalham, outros colaboram

Directora do serviço de urgência do HDFF, Amélia Pereira lembra a relação da VMER com o próprio hospital, ao longo destes cinco anos: “ao início havia pessoas de acordo, outras não, mas com o passar do tempo, mesmo os mais cépticos vêem com bons olhos a existência da viatura, um serviço importante até pelas mudanças que existiram na própria equipa de urgência”, resume. Em serviço na VMER a médica lida com todo o tipo de doentes – desde os passivos até outros mais complicados, “mesmo agressivos” – e, nos casos mais graves, procura “sempre que possível, ter acesso ao que aconteceu ao doente, saber se o nosso trabalho beneficiou a pessoa”, diz.
Se o espírito de entreajuda e entrega à causa tem sido fundamental no sucesso da VMER da Figueira da Foz, não menos importante é a colaboração prestada pelo corpo de Bombeiros Voluntários da cidade, que, para além de possuir uma ambulância cedida pelo INEM, garante as tripulações para aquela e ainda vê alguns dos seus homens prestarem serviço na viatura médica.
Quim-Tó, 32 anos, é um deles: “Para quem faz ambulâncias há anos, habituado a trabalhar na rua, poder aceder a isto é quase irreal” confessa. Considera a existência da VMER “uma evolução alucinante” na emergência médica, “dantes não havia médicos na rua, agora é possível levar às vítimas aquilo que existe na urgência de um hospital”, refere.
Embora sendo “suspeito” para comentar a relação de entreajuda da equipa da VMER com os bombeiros, Quim-Tó lembra a “grande experiência” que os soldados da paz possuem no terreno. “Para o bem e para o mal é com eles que contamos”, afirma.
Num cenário de acidente, além das vítimas, dos médicos, enfermeiros, bombeiros e autoridades policiais, existe sempre uma outra categoria de “actores”: os populares. Se à maioria estão reservados papéis de meros figurantes, alguns fazem questão de deter um papel secundário, para o bem ou para o mal.
“É preciso muito tacto para lidar com os mirones numa situação de acidente, há os que querem ajudar e acabam por ser muito úteis e outros que só atrapalham”, afirma Amélia Pereira.
“Uma vez houve um senhor, de capacete na cabeça, que chegou junto de um carro onde estava uma vítima encarcerada, empurrou a médica só para ver melhor o que se estava a passar e foi embora” recorda.
 
Que “armas” tem então quem está a trabalhar num acidente, muitas vezes ainda sem a presença de autoridades policiais: “uma das hipóteses é dar alguma coisa para fazer a alguém, segurar uma garrafa de soro, por exemplo”, explica. À memória, vem-lhe imediatamente outra situação complicada: “Estava um grupo muito agitado, mesmo em cima de nós, demos que fazer a um e a partir daí parecia o chefe dos outros todos”, diz, com um sorriso. Nem sempre é assim e, muitas vezes, a colaboração dos populares acaba por surgir naturalmente.

Um jornalista “nos calcanhares”

Buarcos, Domingo, oito da noite. A VMER é activada para um estabelecimento de restauração onde uma idosa foi vítima de indisposição súbita. A senhora sentiu-se mal e acabou por vomitar o jantar.
Jorge Mesquita, 43 anos, médico de medicina geral e familiar, liga a vítima ao monitor, verifica-lhe a pulsação “acelerada”, ausculta-a, acalma-a. Segue-se o transporte da senhora ao hospital, “mais como medida de precaução”, o médico na ambulância, a VMER, conduzida pelo enfermeiro David, a abrir caminho.
Depois do jantar, duas bifanas num restaurante perto do hospital, seguidas do retorno à base, que o dia, calmo, aproxima-se do fim. A dupla de serviço à VMER tem um percurso curioso: Mesquita já foi enfermeiro, mas acabou por tirar o curso de Medicina, e, actualmente exerce no hospital de Leiria, prestando ainda serviço na VMER das Caldas da Rainha. David Moderno tem 27 anos, trabalha no HDFF, diz-se enfermeiro “por ter errado o código na altura de escolher o curso na universidade”.
À meia-noite chega António Barbosa que vem substituir David. Jorge Mesquita continua noite dentro, até à manhã seguinte. Quinze minutos mais tarde, o toque estridente do telemóvel interrompe a conversa, no momento em que o médico explicava que nunca, em serviço da VMER, lhe tinha calhado um parto.
“E agora tenho um parto e um jornalista nos calcanhares”, exclama o médico depois de concluir a chamada. Na freguesia das Alhadas, Manuela (nome fictício) espera a chegada da VMER mas a informação avançada pelo CODU – rotura do saco aminiótico e entrada em trabalho de parto – acabaria por não se confirmar, adiando o primeiro parto a Jorge Mesquita, que terá de esperar por outra oportunidade.

“Temos de estar permanentemente actualizados”

Ao longo dos cinco anos que leva de vida, o trabalho da equipa da VMER figueirense incide ainda na formação de outros profissionais, estando ligado à entrada em funcionamento de novos carros médicos pelo país.
“Temos pessoas aqui que dão formação interna em Coimbra e participam activamente na formação de novas VMER mas também dão formação externa em Suporte Básico de Vida (SBV) a corporações de bombeiros, centros de saúde e universidades, através de protocolos com o INEM, pode ser ministrada a profissionais de saúde mas também a leigos na matéria ” diz Amélia Pereira.
Os elementos da VMER submetem-se ainda a formação contínua “sobre coisas novas e outras antigas que é necessário rever”, estando metade da equipa que presta serviço na Figueira, de entre os elementos que fizeram o curso há mais de três anos, certificada em Suporte Avançado de Vida (SAV).
“ O SAV é um conjunto de procedimentos que equivale a uma unidade de cuidados intensivos, em termos de medicamentos e meios técnicos” explica Rui Miguel, 34 anos, enfermeiro no HDFF, actualmente a coordenar a área de formação na VMER.
“Enquanto o suporte básico trata do suporte de vida sem meios complementares, o suporte avançado inclui os meios” explica, ao mesmo tempo que defende a formação contínua “pois temos de estar permanentemente actualizados”.
Amélia Pereira acrescenta a importância da certificação, lembrando que “com os avanços verificados, o que hoje é suporte básico não tem nada a ver com o que acontecia há cinco anos atrás, para podermos todos falar a mesma linguagem tem de haver formação”, conclui.

“Chamadas falsas põem muita gente em risco”

Sábado, hora do jantar. Susana Magalhães, 26 anos, senta-se à mesa do refeitório do hospital. Pertence à equipa desde o início de Janeiro deste ano, facto que transforma esta médica de medicina interna na “benjamim” da VMER.
Susana já tinha entrado na sobremesa, ainda o tripulante Barbosa atacava uma posta de bacalhau. Subitamente o telefone: colisão entre duas viaturas na antiga 109, Armazéns de Lavos. Num ápice, médico e tripulante levantam-se da mesa, sem disfarçarem alguma agitação, como que a darem razão a um estudo efectuado que diz que o batimento cardíaco dos elementos dos carros médicos dispara das 60 para as 200 pulsações ao toque do telemóvel.
“A primeira vez que saí ia muito nervosa” lembrava a médica horas antes, quando questionada sobre os primeiros tempos ao serviço da VMER. A primeira vez que contactou com a emergência médica foi no Hospital da Figueira, longe dos bancos da faculdade “onde não tive essa experiência”.
Estava à espera de uma oportunidade para integrar o quadro da VMER e quando o dia chegou aceitou de imediato: “houve qualquer coisa que me atraiu, estou a gostar imenso, é também uma forma de me pôr à prova e crescer profissionalmente”.

Deitado na beira da estrada está caído um senhor, já de certa idade. O acidente, aparatoso, provoca a típica concentração de mirones, ampliada pela tardia chegada das autoridades policiais. António Barbosa estacionou a VMER quase perpendicular à berma, os faróis a iluminar a vítima. Duas ambulâncias e respectivas tripulações completam os meios de socorro. Depois de assistido, o idoso é cuidadosamente posto na maca, depois de devidamente imobilizado. Barbosa olha em redor e destaca a actuação de um popular “que acompanhou a vítima desde o princípio, não largou as garrafas de soro, foi espectacular”. Susana Magalhães é chamada a outro ponto da estrada onde uma senhora entrou em choque. Contas feitas, as piores conjecturas de quem olhasse para o estado dos veículos acidentados, não se verificaram. Dois feridos ligeiros e uma grande dose de sorte à mistura para os intervenientes no acidente.

Desta vez o acidente foi real. Nem sempre acontece assim. Uma das situações que acompanhámos teve início numa chamada telefónica, a alertar para um suposto acidente “com encarcerados” junto ao parque de campismo da Gala. Duas ambulâncias, dois carros de bombeiros, uma viatura da PSP e a VMER deslocaram-se ao local. A EN 109 foi percorrida por duas vezes, a alta velocidade. Nada.
Por “descargo de consciência” Rui Miguel, aos comandos da VMER, chegou a levar a viatura ao parque de campismo do Cabedelo: “Quem telefonou podia estar nervoso e ter-se enganado”, justifica. Outra vez nada. Nem ninguém. Mais tarde veio a saber-se que o número de telemóvel deixado para contacto pertencia a um indivíduo de Barcelos, o qual, imagina-se, desconhecia em absoluto a existência de um acidente na Figueira da Foz.
“As chamadas falsas põem muita gente em risco” alerta Rui Miguel, acrescentando: “A nós, aos outros meios de socorro, mas, mais importante, põem em risco alguém que pode precisar mesmo de ajuda, nesse momento, noutro lado qualquer e a VMER está activada para uma ocorrência que não existe. As pessoas deviam pensar bem nisto”, remata.
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